TEXTO: Uma brevíssima reflexão sobre a relação entre Políticas Públicas, Estado e Serviço Social
No atual contexto de
crise estrutural do capital a classe trabalhadora vêm sofrendo duras investidas
contra seus direitos historicamente conquistados, portanto, discutir e debater
a relação entre o Serviço Social e o Estado no âmbito das políticas públicas
coloca-se como uma necessidade frente a tantos desafios.
As políticas públicas
firmaram-se como uma realidade presente na vida social principalmente a partir
do acirramento da disputa entre capital e trabalho, tendo em vista que o modo
de produção capitalista começou a gerar uma gama de problemas sociais nunca
antes vistos. O Estado capitalista, imbuído de sua inerente responsabilidade de
atender prioritariamente os interesses da classe dominante, sempre procurou
garantir os mínimos sociais aos trabalhadores com o objetivo de permitir a sua sobrevivência
e a manutenção de sua força de trabalho (explorada e precarizada) dentro de
limites que garantam o andamento da engrenagem capitalista. Nesse processo de
garantia de mínimos sociais a prática do assistencialismo surge como uma
estratégia do Estado, uma vez que a garantia universal e ilimitada de direitos sociais
não faz parte do projeto societário da burguesia. Nesse contexto, as políticas
públicas não podem ser outra coisa senão ações formais do Estado direcionadas
ao combate das expressões da questão social que visam garantir limitada e
parcialmente alguns direitos e seu reconhecimento aos trabalhadores.
Não é necessário, aqui,
traçar um panorama histórico do processo de avanços e retrocessos das políticas
públicas. Cabe ressaltar que, se em seus primórdios elas já não eram capazes de
garantir plenos direitos. Hoje, com o advento do neoliberalismo como estratégia
de gestão da ordem capitalista, sua implementação pelo Estado está ainda mais
fragilizada, principalmente se levarmos em conta que a política neoliberal visa
um Estado mínimo e direcionado quase que exclusivamente para as demandas do
mercado, considerado o “verdadeiro” impulsionador do desenvolvimento econômico
e social. A reestruturação produtiva dos anos 1970 coloca-se com uma
contundente prova de que o Estado neoliberal não está preocupado com a relação
dos trabalhadores com o próprio trabalho precarizado.
O Serviço Social,
especialidade do mundo do trabalho – constituído no bojo da relação
contraditória entre força de trabalho e força do capital –, está alocado na
dimensão assistencialista do Estado, tendo os assistentes sociais a
prerrogativa de pensar, executar, gerir e aplicar as políticas públicas no âmbito
da seguridade social. No Brasil atual – há muito governado por partidos
pró-mercado que se utilizam de programas assistenciais a fim de manter sua
governabilidade e elegibilidade – poucos recursos são destinados à seguridade
social. O trabalho social, executado majoritariamente por iniciativas
municipais, coloca inúmeros obstáculos na atuação dos assistentes sociais no âmbito
das políticas públicas. Em São Paulo, por exemplo, a maioria dos serviços sociais
são executados por ONG’s, o que representa a própria desresponsabilização do
Estado. Esta prática resulta na precarização destes serviços e afeta
negativamente a execução das políticas públicas.
Em nossa análise, as
políticas públicas são importantes na medida em que atendem as demandas mais
básicas dos trabalhadores, mas estão muito aquém da garantia plena dos direitos
humanos e sociais que não serão oferecidos gratuitamente pelo Estado neoliberal. A substituição da lógica das políticas públicas pela plena garantia dos direitos sociais será conquistada através superação
da própria lógica capitalista através da luta organizada dos trabalhadores
conscientes de si enquanto classe. Precisamos, como assistentes sociais encampar essa luta
levantando a bandeira da transformação social a da subsunção do atual modo de
produção. Aí, quem sabe, não será mais necessário perder nosso tempo discutindo
sobre a relação entre Estado, políticas públicas e Serviço Social. Poderemos
ganhar nosso tempo refletindo sobre outros desafios.



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