INDICAÇÃO DE LIVRO: Circo Invisível (Jennifer Egan)

 


Circo Invisível, de Jennifer Egan, é um romance que se passa no ano de 1968 em São Francisco (CA) e tem como personagem principal a jovem Phoebe O'Connor de 18 anos. Phoebe tem pela sua irmã, Faith, uma conturbada e curiosa identificação. Acontece que sua irmã se suicidou na Itália há alguns anos e o fato de não entender (ou aceitar) a sua morte a leva a desdobrar sua vida e situações perigosas e excitantes. 

A autora é bem detalhista, sendo assim, a primeira parte do livro traz os pormenores das relações familiares de Phoebe. Faço um destaque aqui para o pai de Phoebe: funcionário da IBM e pintor não muito talentoso. Na minha análise, a relação desse pai com Faith é o fio que direciona toda a história, pois, Faith era (dos três) a filha preferida. O pai, de certa forma, mantinha com Faith uma relação permeada por uma competição subliminar na qual ambos tinham sempre que se testar, levando-se ao limite.

Quando o pai morre, Faith, absolutamente incapaz de superar o luto, começa uma busca por novos sentidos para sua vida o que culmina em seu suicídio. Phoebe, já aos 18 anos ainda sofre a perda do pai, porém, sofre ainda mais pela morte da irmã. Após perceber a irrelevância de sua vida decide viajar para a Europa para percorrer os passos de Faith. A segunda parte do livro relata todas as aventuras vividas pela jovem. Parece que nela há uma esperança da irmã ainda estar viva. 

Durante sua viagem pela Europa Phoebe encontra Wolf. Esse personagem é fundamental para o desdobramento dos próximos acontecimentos, pois, Wolf, antigo namorado de Faith, carrega consigo informações sobre Faith que são desconhecidas pela família.

O desenrolar dos acontecimentos na Europa são a parte mais legal e interessante da história, pois, a autora, muito alinhada com os detalhes da época e muito detalhista na descrição das cidades e locais, constrói uma narrativa cheia de surpresas e nuances que vão enriquecendo e convidando o leitor a diversas reflexões sobre as relações sociais, conflitos internos, problemas sociais e, especialmente, sobre uma visão muito interessante sobre a juventude.

A terceira, e última parte do romance, trata do retorno de Phoebe para casa com muitas respostas e algumas incertezas. 

Eu, particularmente, gostei muito. Não é uma ficção que vai te deixar indignado com grandes voltas e reviravoltas, porém, a volta e reviravolta mais importante da estória - que tem muito a ver com a ver com os segredos de Faith - vai te levar à reflexão sobre a busca por sentidos na qual todo ser humano de alguma forma está envolvido. Faith não é só o nome da irmã de Phoebe, mas é um símbolo de sua busca e ingenuidade. Faith é, certamente, a personagem mais interessante da história, apesar de Phoebe ser a principal. Mas, é muito legal a forma como a autora constrói a trajetória da personagem principal que, no avançar da história, vai mostrando sua identidade e sua determinação em busca de respostas. 

Se Faith é a representação do idealismo e da busca por sentidos e se Phoebe é a personificação da determinação em busca de resposta, quem dera todos nós pudéssemos ter um pouco dessas personagens intrincadas na nossa forma de ver e viver a vida.

Boa leitura!

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